quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Liberdade não é um direito absoluto!

Veio a público na última semana que, os responsáveis pela loja do cidadão de faro, através de regulamento interno, um tipo de código de conduta, proibiram as senhoras funcionárias de utilizarem perfumes agressivos, saias curtas, “lingerie” de cor escura e decotes exagerados.
Na verdade, quando li esta noticia, pensei para comigo que algumas publicações tidas como de referência andam com dificuldade em arranjar temas para lançar à estampa, tal era a irrelevância da noticia. Não pensei mais assunto.
Com efeito, para minha perplexidade, no público de hoje, ontem para quem está a ouvir a minha crónica, a Arquitecta Helena Roseta na crónica que faz publicar no aludido jornal, traz o tema à liça. Obviamente, que respeito a opinião de todos. Porém, aquilo que é afirmado, na crónica por esta ilustre portuguesa, que este assunto deveria ser tratado em sede de comissão para igualdade no trabalho e no emprego. Esta posição enferma de um erro de análise que só pode subsistir por algum qualquer complexo adquirido na adolescência, tempo em que as mulheres e as jovens não podiam, por imposição cultural e social, usar mini-saias e tudo o que está associado a esta vestimenta.
Aqueles e aquelas que vêem nesta proibição um retrocesso ao antigamente, ao Estado Novo, confundem o que é a função pública com o que é a vida privada de qualquer cidadão ou cidadã. Não me oponho, era o que faltava, que as mulheres possam vestir o que lhes bem aprouver. São livres de vestir o que quiserem e de utilizarem as fragrâncias que mais gostarem.
Voltando à proibição, é meu entendimento politico e social que, não vou aqui abordar a questão jurídica porque sobre a mesma há vários entendimentos, os funcionários públicos, mulheres e homens, sobretudo aqueles ou aquelas cujas
funções sejam o contacto com público, devem ter cuidados acrescidos, i.e., têm o dever de se apresentarem com trajes que não suscitem há generalidade dos utentes criticas ou mesmos ferirem susceptibilidades. Não raras vezes, aqueles/as que trabalham com os serviços públicos ou aqueles/as que na qualidade de utentes precisam de contactar com os mesmos serviços, uns mais do que outros, são confrontados/as, ainda, com alguma falta de bom senso por quem assegura este tipo de função no que toca à imagem pessoal.
Posto isto, não vem mal ao mundo que existam determinados serviços de natureza pública que obriguem as suas funcionárias a terem cuidados especiais com as suas indumentárias, não só são evitadas situações caricatas, diria mesmos excessos, como, também, se dá mais dignidade aos serviços.
Termino como comecei, na vida privada cada um pode vestir e andar como bem entender. Porém, quando estamos investidos de uma função como aquela que em cima descrevi, as regras devem imperar. A liberdade não nos confere só direitos, confere-nos também deveres. Há muita gente que não sabe ou não quer entender isto.

Sem comentários: