terça-feira, 25 de maio de 2010

Com culpa no cartório!

O país caiu num buraco onde dificilmente sairá. Vivemos, sobretudo, nos últimos 15 anos, do endividamento externo. Se sair, sairá mais pobre e menos preparado para enfrentar o mundo cada vez mais globalizado. O nosso tecido económico assenta na produção dos bens não transaccionáveis e, a grande maioria das nossas empresas são micro, pequenas e médias , por isso, quando a crise for debelada lá fora, nós ainda teremos às costas os nossos problemas estruturais, o que fará com que o nosso país se afaste ainda mais dos países desenvolvidos.
Na verdade, não conseguimos ou não quisemos antecipar a crise. Tivemos Governos cuja preocupação era gerir o “satus quo”, e proteger as suas clientelas. Por outro lado, uma sociedade civil pouco activa, mais preocupada em garantir as mordomias conquistadas, do que em exigir responsabilidades. E tudo prosseguia, calmamente, o crédito a preços nunca vistos o que permitira as empresas e as famílias endividarem-se em valores muito acima das suas reais possibilidades.
Sucede que, este modus vivendi, um dia teria que parar. E parou. Os números das contas públicas e privadas vieram à luz do dia, e os nossos “amigos” credores deixaram de olhar para nós como pessoas solventes, para passarem a olhar-nos como devedores com um grande risco de insolvência. Com efeito, o crédito externo passou a ser mais escasso e, ainda por cima, mais caro.
O que fazer face a isto, terá perguntado o primeiro ministro aos seus botões. Continuar com a politica espectáculo, maquilhando, reiteradamente, os números das contas públicas, do desemprego e da necessidade de recorrer aos grandes investimentos públicos ou parar com intuito de inverter caminho. Num primeiro momento ainda optou pela facilidade, veja-se, por exemplo, as premissas do Orçamento de Estado e, ulteriormente, do PEC.
Acontece porém que, os mercados internacionais, não foram na conversa fiada e exigiram mais contenção, pelo que o senhor primeiro ministro com a ajuda inevitável do líder do maior partido da oposição, optaram pelo segundo caminho e, daí o plano de austeridade que entrará, inapelavelmente, nos bolsos dos portugueses. Por conseguinte, não se cansem a encontrar culpados, porque temos todos a nossa quota-parte de responsabilidade

1 comentário:

Pedro disse...

É verdade, concordo plenamente, principalmente com a ultima parte, por vezes as pessoas esquecem-se que o individamento externo não é do ou dos governos, é de todos nós , Quando compramos BMW ou Mecedes a CRÉDITO, mais umas viagens a CRÉDITO, mais uma casa A CRÉDITO, mais as contas do supermercado A CRÉDITO, e não temos um tostão no Banco, estamos a contribuir para o estado miserável em que o nosso pais se encontra. Eu sempre ouvi dizer dos meus pais , “Não gastes aquilo que não tens nem aquilo que não podes pagar, e mesmo que agora possas pagar, pensa nas eventualidades” Há que mudar mentalidades….

Pedro Afonso